quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Sobre o que está acontecendo no Horto .


"A luta do Horto é a luta do povo! 


Por Glorya Ramos* 


Há um desvio na análise da questão da remoção das famílias do Horto. 


Onde fica o Horto? O povo, em geral do estado do Rio de Janeiro e do Brasil, não localiza bem o Horto, que fica agregado ao Jardim Botânico, um dos acervos naturais mais importantes e valiosos da cidade do Rio de Janeiro. Feita a localização, cabe então enegrecer problemática em torno da questão da remoção de famílias que ali residem e não querem e não precisam sair dali, tentando responder à questão: como podem negros e negras descendentes de escravos imaginarem compartilhar um dos espaços mais valiosos do Brasil? Quem permitirá isso? 


Quando eu falo que o Horto não é bem localizado pelo povo brasileiro, incluo até a ilustre e prezada companheira Dilma que, não conhecendo a situação das pessoas envolvidas na questão do Horto, corre o risco de contrariar todos os avanços, princípios e propósitos do combate ao racismo e promoção da igualdade racial numa penada. 


Apesar de não poder ser caracterizada como comunidade tradicional remanescente de quilombos por questões técnicas e formais, podemos dizer que a população que habita o Horto, e que neste momento corre o risco de remoção para Benfica, é negra e guarda um patrimônio remanescente secular que pertenceu a negros e negras escravos (as) trabalhadores (as) e que está no Horto, ainda hoje, e pode ser qualificado como um sítio que guarda presença de um tempo pretérito que devemos salvaguardar, ter na memória “para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça” – a escravidão. O Horto era o espaço de grandes engenhos, logo passagem de negros e negras que participaram do enriquecimento daquela localidade e das pessoas brancas, herdeiras ou posseiras que hoje lá habitam. 


O valor agregado àquele notável patrimônio natural advém de um equipamento sociocultural importante que valoriza o corredor cultural da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de um corredor com um grande acervo natural no seu entorno, praias, lagoa, morro, acesso à floresta, jardins, parques, um equipamento cultural invejável: teatros, cinemas, livrarias e shoppings, os mais importantes da cidade estão localizados neste corredor, além de uma concentração de escolas, cursos e universidades. É desse local, sob falsas alegações, que querem remover famílias que pertencem a um segmento da população historicamente excluído: a população negra. Além de falsas e infundadas alegações, uma forte dose de preconceito racial que determina também historicamente um “não lugar”, a invisibilidade, a exclusão da população negra de espaços valorizados e de poder tal como a universidade. O que ocorre no Horto é exatamente o que a classe média/alta racista queria que permanecesse nas universidades, um quadro populacional quase exclusivamente branco com raríssimas exceções. 


Cabe agora verificar que estão pedindo que 521 famílias que não querem ser removidas sendo que 78% destas famílias são de pretos e pardos sejam deslocadas para o bairro de Benfica, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, potencialmente desvalorizada, pois não tem, nem de perto parte do valoroso acervo sociocultural e educacional da Zona Sul, tampouco seu acervo natural riquíssimo. 


Tira-se a parte pela preta do Horto, livra-se da pobreza e da negritude e põe o preto pobre na periferia, no lugar que a elite branca reservou apoiada pela perniciosa e racista rede de televisão. 


Assim revelamos o racismo institucional que está por trás desta questão. Esta população que habita o Horto não quer ser removida, não corre riscos, não compromete a natureza, muito pelo contrário, ajuda na sua preservação, mas tem um problema traz a diferença racial para o espaço nobre da Zona Sul. A elite se revela racista na medida em que quer promover um apartheid, caminhando na contramão da história. A hipocrisia, juntamente com o mito da democracia racial, cai por terra e a sociedade brasileira expõe sua chaga – o racismo. 


Vamos combatê-lo veementemente. Somos contra a discriminação racial e todas as formas de intolerância. Queremos justiça social e igualdade de direitos. Queremos poder viver livres. Sem discriminação, podendo usufruir de todos os bens sociais produzidos pela humanidade e, no caso do Horto, produzidos por homens e mulheres negros (as) e brancos (as), então porque só os brancos podem morar no Horto? "

*Professora do Colégio Pedro II. Membro do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (INSPIR) e do Coletivo de Combate ao Racismo do PT/RJ  

Este artigo foi retirado de http://www.amahor.org.br/6327
Por Thaina grupo das remoções 

                            Roda de Conversa no Antônio Maria Texeira Filho.
Na roda de conversa com os moradores do Horto ficamos sabendo que o Museu do Horto conta a historia das família que estão a bastante tempo lá .No Horto 78% das pessoas são negras e pardas , e de classe média e de baixa renda .

Remoção: Segundo os moradores, a rede globo é a principal culpada da remoção do Horto. Eles acreditam que querem remover as casas para construir condomínios de luxo . O período de luta contra a remoção começou quando a Globo chegou lá nos anos 60 .* Os moradores já sofreram ameaças . Quando decidiram remover 80% da comunidade do Horto, algumas pessoas alegaram que as pessoas que moram lá , não tem condições financeiras de morarem lá , pois são pobres.**  Mas antes mesmo dos moradores chegarem lá , a floresta foi desmatada pelas plantações de café há 200 anos atrás. E a mídia coloca a culpa nos moradores .
E por ironia , o próprio "chefia" do meio ambiente , está desmatando para construir sua mansão de luxo .*** E ai fica a pergunta ,não está errado ?!
Clube Caxinguelê : Foi construído pelos próprios moradores e acabou sendo demolido pelo IPJB .

Nivea do grupo Horto Imperial. :)

Notas da professora Claudia Lobo:
*Desde a década de 1960 os moradores vem enfrentando uma luta pela permanência e preservação da comunidade: lutaram contra um projeto do governador Carlos Lacerda que pretendia construir um cemitério na região, contra o governo militar que pretendia construir prédios do BNH, e contra a Rede Globo que atualmente pretende construir um novo estacionamento no bairro. Sobre o assunto, ver "Dossiê histórico sobre a população tradicional do Horto", organizado pela historiadora Laura Olivieri, disponível em http://www.museudohorto.org.br/5771?locale=pt_br


**Além da campanha difamatória empreendida pelo Jornal O Globo a partir de março de 2010, acusando os moradores de serem invasores do Parque Jardim Botânico, o ex-presidente da AMA-JB e dono da empresa MyGreen, Alfredo Piragibe, através de sua página "SOS Jardim Botânico " começou também a atacar os moradores. Nesta página, pode-se  observar comentários preconceituosos contra os moradores, feitos por diversas pessoas que acessam a mesma. Sobre o assunto, ver
F.L.J. Diário de uma invasora. Livre Expressão Editora, Rio de Janeiro, 2012.
 
***Sobre a construção da mansão na Rua Sara Vilela ver a declaração de bens do secretário do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, o deputado Indio da Costa. Disponível em http://www.eleicoesbrasil.org/eleicoes-2014/deputado-federal/rj/indio-da-costa/190000001474  Sobre as denúncias feitas pelos moradores sobre as construções da Rua Sara Vilela, ver http://www.amahor.org.br/6250
 


 
( Foto feita no dia do Trabalho de Campo no Horto)

          "O Horto Florestal do Rio de Janeiro existe formalmente no mapa da cidade desde 1875, quando foi oficializado como parte integrante da Freguesia da Gávea."*
 
- Autoridades dizem que querem remover os moradores do Horto, para replantar árvores, mas não foi bem isso que vimos na nossa visita ao Horto. Tem uma parte isolada que ali disseram que iriam fazer plantações, mais até agora os moradores não viram absolutamente nada. Será que eles querem remover os moradores para fazer um bairro chique!? .. O mais engraçado é que vi casas enormes e lindas sendo construídas e que com certeza não serão removidas* * , e casas que estão ali a mais de 30 anos tem que ser removida!? Acho um absurdo isso, com bares novos chegando, mansões lindas sendo feitas, o que pode acontecer é o IPTU subir, pessoal tem mansões que estão dentro da floresta , pra fazer elas será que não foi necessário derrubar árvores e destruir solos? Fica essa pergunta no ar.   O que me intriga mais é que a exatamente 3 anos e 10 meses a Globo fez uma postagem como o "Programão do fim de semana" * * *, dizendo que o Horto é um bairro tranquilo, cercado de verde e com comércio pacato, e vamos dizer que do dia pra noite quer destruir tudo que estar por lá? Tirar moradores que vivem a mais de 3 décadas? o que aconteceu pra mudarem  de ideia tão rápido? ... 
( Fotos tiradas durante o Trabalho de Campo no Horto )

Notas da Professora Claudia Lobo:
* SOUZA, Laura Olivieri Carneiro de. Horto Florestal do Rio de Janeiro: um lugar de memória da cidade na luta pela afirmação de sua identidade e preservação do seu patrimônio histórico. Disponível em: http://www.amahor.org.br/Horto_Florestal_do_Rio_de_Janeiro:_um_lugar_de_mem%C3%B3ria_da_cidade_na_luta_pela_afirma%C3%A7%C3%A3o_de_sua_identidade_e_preserva%C3%A7%C3%A3o_do_seu_patrim%C3%B4nio_hist%C3%B3rico
 
* * A aluna está se referindo às casa que estão sendo construídas na Rua Sara Vilela, no meio da mata.
 

Milena do grupo Horto Imperial.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Entrevista Com uma moradora do Horto .


Uma entrevista com uma moradora do Horto : "Ela relata o que viveu lá e o quanto luta sobre a remoção "


"Vânia do horto‚e sua família morava na favela da Rocinha‚depois o seu pai foi contratado a trabalha no parque Jardim Botânico em 1972 o ex funcionário do jardim botânico tem os direito de moradia
no horto baseado na lei dos servidores públicos e os filho também podem ocupa a região.
        No tempo de vida a grandes historia de sua  casa e das brincadeira com as criança com espaço ,os animais e canto dos pássaros e bom lugar de grandes fatos histórico junto a consciência ambiental dos moradores , horto e cenário de boa qualidade de vida na zona sul do Rio de Janeiro e viver com a natureza com respeito com isso foi criado clube caxinguelê, foi criado pelos moradores mais antigos do horto o bairro tem muitas história desde a chegada da família Real Portuguesa e suas Colônia, neste lugar a varias conjuntos habitacionais dos moradores do bairro,  também tinha e tem fábrica dos operários ,e os clubes e sola da Imperatriz .
   Mas em 1980 a 1987 Instituto Brasileiro de desenvolvimento (IBDF) inciou as tentativas de remoção dos
moradores com isso a mídia  criou o mito que a comunidade invadiu o parque com isso os moradores passaram a ser "invasores ilegais " pelo próprio governo tudo que eles construiram pode ser desabitada com remoção do moradores  a um propósito de  expansão ambiental mas não o que parece ser ,porque todos os que foram removidos foi a classe trabalhadora com salário mínimo, o grande interesse da mídia pelo horto. Porque lugar e bom de viver e construir em 2011 a globo com seu império começou a questionar os moradores como invasores com isso a grande revolta contra o sistema,com a criação do museu do horto e preservação ambiental e florestal mostra um povo de grande respeito com a natureza.
           Em relação a remoção ela diz que esta cansada porque faz mais ou mesmo 30 anos de luta, não é  
fácil sair do lugar que viveu sua infância e juventude , por ter convivência com as pessoas,  e triste sai do lugar que gosta tanto. Dona Vânia é uma das  moradoras que luta pelo seu direitos como  cidadão e moradora do horto. "

- Fonte : Edmar
Grupo das remoções .