domingo, 30 de novembro de 2014



                                      Horto Roça na Zona Sul do Rio de Janeiro                       O Horto Roça é uma denominação de uma parte tranquila do Horto, que ainda preserva algumas tradições que hoje em dia não são mais comuns nas cidades grandes, como as brincadeiras de roda, horta no quintal, conversa no portão...
É muito importante preservar essas tradições, pois nesse mundo moderno a comunicação entre as pessoas o olho no olho está se perdendo. As pessoas de hoje se comunicam através das redes sociais, o convívio entre os vizinhos se tornam mais chatas, há toda hora briga por não terem as mesmas opiniões e o mesmo ponto de vista de um com outro.
         Os moradores desse “Horto Roça” tem uma vida simples, mas bem mais saudável de quem vive nas cidades grandes, pois não tem aborrecimento e sem contar que não utilizam câmeras de segurança para vigiar suas casa, dormem despreocupados de portas e janelas abertas sem medo de serem roubadas, violência lá não se ver, brigas entre vizinhos raramente, exceções. Lá é um lugar bem calmo que tem poucos habitantes e os mesmos, moram lá por serem terras dos seus avós que deixaram como herança familiar.







fonte das fotos: www.museudohorto.org.br

Grupo: Sillas Brito, Gabriel Rodrigues e Raylan Soares

O texto só foi possível ter sido realizado a partir do conhecimento adquirido sobre o assunto em sala de aula com a professora de história Claudia Lobo que inclusive é moradora do horto, que também trouxe alguns moradores para relatar sobre diversos assuntos referente ao "Horto" em geral, tivemos o privilegio de conhecer o local e poder ter feito uma entrevista com os próprios moradores. 

Sobre a Roda de conversa :


A roda de conversa foi bastante interessante pois ela nos ajudou muito a expor nossas idéias com clareza e também esclarecer algumas duvidas que tínhamos, além de nos fazer entender mais sobre o assunto tratado e facilitar na hora de organizar as tarefas do nosso grupo.

por: Pedro Henrique Fernandes // Horto Chique
Entrevista a dona Denise, moradora há 30 anos.


1) Qual o primeiro o sentimento que vem quando fala em remoção dos moradores do horto? E por quê? 
R: Revolta. Por que é um ambiente aonde eu moro a anos e faz parte de mim.

2) O que você acha que deve melhorar ?
R: Os pensamentos dessas pessoas que não tiram da cabeça que tem que remover os moradores , só por que eles tem dinheiro e a gente vem de origem humilde acham que podem vim e mudar as coisas desse jeito , essa sociedade desculpa as palavras menina mais tá uma merda. Aonde os de renda mais superior a nossa que tem tomar conta.

3) O que você espera sobre esse projeto que a Globo esta apoiando da remoção dos moradores do horto?
R: Sinceramente não tenho mais nada a espera ou imaginar , seja o que Deus quiser , que ele toque no coração da cada um desses caras engravatados e é isso.

4) Você tem esperança de isso tudo um dia mudar ?
R: Esperança é a última que morre , eu acho isso uma injustiça total , eu moro aqui a 30 anos e nunca vi algo parecido .

Por: Geisiane Frutuoso // Horto Chique

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

 Roda de conversa


   o horto é uma comunidade de mais de cem anos, ela foi criada quando trabalhadores do jardim botânico construíram suas casas em volta do jardim , com a autorização do diretor do parque, ninguém invadiu nada. essas pessoas passaram suas casas de geração , as famílias foram crescendo e assim o horto foi crescendo. muitos anos se passaram e hoje o governo quer remover a comunidade alegando que eles estão morando sem permissão, em área pública que pertence ao parque . Os moradores dizem que é pior influência da mídia e do comércio. também alegam que muitas vezes chegam a ser humilhados. isso é um absurdo porque aqueles moradores moram lá a anos , não estão fazendo mal a ninguém , nem prejudicando. estão sendo removidos por ganância. todas as pessoas tem direito de ter uma vida digna sem humilhação , podendo escolher onde morar.

grupo: horto colonial
Vitoria oliveira

segunda-feira, 24 de novembro de 2014


                                                                Passei de campo




No passei de campo, a professora nos levou para conhecer cada parte ou tipo do Horto, como Horto Imperial, Horto Chique, Horto das Remoções e etc..
A professora também nos levou para conhecer algumas casas que estão dentro do Jardim Botânico as quais foram citadas no dia da roda de conversa.
Conhecemos também uma esvola que se encontra dentro do Jardim Botânico e que cada dia que passa eles a diminui e que já foi feito um portão para que não
ultrapassem mais, mostrou também que algumas casa que estão sendo construídas,acima do Horto, vamos dizer assim, que tem escavadeiras e etc.
Eles estão desmontando o Horto por que os moradores sempre estiveram lá e eles que chegaram agora estão acabando com tudo e as casas dos trabalhadores
da usina são lindas, também existe uma parte que meio que fecharam com muros dizendo que iriam fazer plantações de flores, só que até hoje não fizeram nada..


por: Mayara Magalhães // Horto Chique

terça-feira, 18 de novembro de 2014


HORTO COLONIAL

"A comunidade do Horto Florestal possui uma história tão antiga que remonta ao início do processo de colonização do Rio de Janeiro, ainda no século XVI. Segundo o cronista Vivaldo Coaracy, o Engenho D´El Rey foi fundado para o cultivo da cana-de-açúcar, pelo governador Cristóvão de Barros (1571-1575) e depois administrado por Antonio Salema até 1577. Para tal empreendimento, tentou-se utilizar a mão-de-obra indígena, mas essa foi rapidamente substituída pela africana, a qual constitui-se na primeira população da região. 


Em 1596 o Engenho D´El Rey foi vendido ao vereador Diogo Amorim Soares que, em 1609, voltou para Portugal, transferindo a posse do Engenho, por requerimento deferido pela Câmara dos vereadores, a Sebastião Fagundes Varela, como dote por seu casamento com a filha do então governador. Assim permaneceram, as terras e a Lagoa salgada da região, no nome de Fagundes Varela até que, em 1660, Rodrigo de Freitas de Mello e Castro herdou do sogro Fagundes Varela o engenho, que foi conservado em poder de sua família por 150 anos. Desde então, as águas salgadas em formato de coração passaram a se chamar Lagoa Rodrigo de Freitas. Diogo Amorim transformou o Engenho D´El Rey num grande latifúndio, incorporando as terras vizinhas e mudou o nome do empreendimento para Engenho Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, tendo sido uma das maiores propriedades da Freguesia da Gávea. 

Em 1808 D. João VI desapropriou o Engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, de propriedade de Rodrigo de Freitas, para a construção de uma fábrica de pólvora. Alguns meses depois, fundou o Real Horto (que hoje é o Instituto Jardim Botânico). Para tais empreendimentos, houve uma 2ª onda populacional, pois os trabalhadores da fábrica e do parque foram convidados a residir nas proximidades do trabalho. Em 1811, foram erguidas vilas para a instalação dos trabalhadores da fábrica de pólvora e do Jardim Botânico. Assim, gerações de famílias de funcionários e descendentes de funcionários da antiga fábrica e do Jardim Botânico construíram uma comunidade nos arredores do parque, com autorização (formal e informal) das diversas administrações do Jardim Botânico e/ou do Ministério da Agricultura, instância de poder a que o Horto Florestal estava subordinado na época. 

Com o advento da República e seus projetos de industrialização surgiram as fábricas de tecidos na região, como a famosa América Fabril. Delas decorreram as vilas operárias, um casario bastante emblemático do início da história operária no país e localmente conhecido como Chácara do Algodão. Esta foi a 3ª onda de ocupação pelos habitantes do Horto. "
  
Paloma, Maria luisa e Ana carolina 
grupo horto colonial 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Horto Chique

 Moradores do Horto sofrem com ameaças de remoção. A que se deve isso? Qual seria o objetivo?
 O motivo seria nada menos que tornar o bairro um dos mais conceituados, isso na opinião do governo. Tirar a maioria que não se encaixa no padrão de boa vida e mandar pra outros lugares.  Tentam explicar que a remoção deve-se a questão dos danos ambientais.
Segundo Juliana, uma advogada e ativista do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, '' O ultimo golpe dado foi a demarcação dos limites do Jardim Botânico, em que a área do Horto parece 'recortada', passando a interagir com o Jardim Botânico. O tribunal de Contas da União requisitou tal demarcação, que foi feita por um grupo de trabalho interministral e determinado que qualquer processo de regularização fundiária fosse paralisado ate a conclusão dos trabalhos. Observo que a regularização fundiária garantiria a permanência dos moradores''.
 Muitos moradores do Horto são tachados de invasores e acusados de destruírem o verde, mas basta olhar as mansões e condomínios e perceber que eles sim engoliram o verde sem justificativa.
 Querem tirar a parte 'pobre' do Horto e colocar Prédios, Condomínios, Restaurantes etc, tudo isso caro, para que os moradores se sintam inferiores e procurem outro lugar para morar! 



 Girlane Fernandes

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Fotos do Horto , grupo das remoções .


Durante a Copa de 2014 , moradores fazem uma manifestação criativa e que chama a atenção de quem passa por esta rua, de certa forma tentam dizer que o governo se preocupa mais com a Copa do que com os moradores que estão pra serem removidos de suas moradias no Horto.)


( Protesto dos Moradores )


( Protesto dos Moradores )


( Protesto dos Moradores )



( Protesto dos Moradores )


( Enquanto moradores que são considerados invasores e na verdade não são , outras pessoas estão construindo suas casas na área de mata fechada “os verdadeiros invasores” )



(Ao fundo, mansões erguidas no meio da mata)

( Protesto dos Moradores )


( Protesto dos Moradores )


“Falsa ecologia, preconceito real.”


( Esta cruz se encontra em um local onde já foi removida uma casa, é uma forma simbólica de “luto”. )



( Outra forma criativa dos moradores se manifestarem foi criando esse muro , onde cada pessoa complementava a frase com o seu motivo de não sair do Horto. “ Não saio daqui porque ... “ )

                                                           

                                                                                                                     
                                    ( Antiga vila operária, mansões na mata ao fundo )



("Fotos que a moradora guarda do protesto" )


("Fotos que a moradora guarda do protesto" )


("Fotos que a moradora guarda do protesto" )


("Fotos que a moradora guarda do protesto" )


("Fotos que a moradora guarda do protesto" )

("Fotos que a moradora guarda do protesto" )


("Fotos que a moradora guarda do protesto" )


("Fotos que a moradora guarda do protesto" )


("Fotos que a moradora guarda do protesto" )


("Fotos que a moradora guarda do protesto" )






Alunos : Adrielly , Edmar e Thaina
Do grupo das remoções 


A remoção do horto

Ação ou efeito de remover ou ser removido, transferência de lugar para outro e mudança.
Para os moradores do Horto é uma falta de respeito ter de ser removido do lugar onde viveram e vivem. Eles tem todo direito ficar mesta região, bom a retirada deles mostra que o Estado falhou com eles, porque se corrompeu com a mídia.  Esse tipo de ação é questionável, contra a remoção há grande quantidade de documentos no museu e historia de vida de pessoas que lá está.
Em pesquisas feitas em sites e entrevista com morador, vimos que a palavra remoção tem um significado: peder a sua historia e origem de um lugar bom  de morar e falta de compreensão. Remoção não vai salvar a floresta, só vai ter revolta  das pessoas e moradores  da comunidade do Horto.

"A remoção do Horto e ambiental ou de classe ? 

Enquanto famílias centenárias do Horto estão preocupadas com a tentativa de remoção de suas casas, moradores do condomínio Canto e Mello têm outra preocupação: por quantos milhões vão vender suas mansões construídas na década de 90. O condomínio fica a menos de 500 metros das casas do Horto, com as chuvas de 2010 uma piscina chegou a desabar sobre uma delas, e mesmo assim as mansões foram liberadas pela justiça em 2012 e o terreno não foi incluído na nova delimitação do Jardim Botânico, anunciada pela Ministério do Meio Ambiente na semana passada. Tanto os moradores do Horto como os do Canto e Mello vivem em terreno da União, mas recebem tratamento diferenciado do judiciário e do poder público. Por quê?

Veja a descrição do imóvel à venda, que ainda coloca a possibilidade de construção de novas casas na floresta: “Terreno de 2000 m² com 2 casas rusticas de 200 m² cada no Condominio Canto e Mello conhecido pelas mansoes. Ideal para construcao de uma nova casa. Possui agua de nascente no meio da Mata Atlantica com vista praia do Leblon no Alto Gavea. Apenas 8 minutos do Shopping Leblon”. A publicação é de 11 de maio de 2013 no ZAPHá outra mansão a venda no condomínio. Criou-se um clima na cidade hoje que se aceita remover 600 famílias como se nada estivesse acontecendo, já são mais de 30 mil pessoas em todo o Rio. É mais uma onda de remoção na história da cidade, que atinge sempre a população de baixa renda e preferencialmente a que vive perto de áreas nobres, como no caso do Horto."


Thaina e Edmar grupo das remoções 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Roda de conversa do grupo das remoções

 No dia 23 de outubro de 2014 aconteceu uma roda de conversa na nossa escola, com os moradores do Horto. Falamos sobre a situação em que se encontram os habitantes do Horto, e ficamos sabendo que eles estão sendo ameaçados de retirada imediata de suas casas,  além de várias mentiras inventadas pela mídia (principalmente a rede globo ) . Falam que eles chegaram a pouco tempo e que estão desmatando o lugar .
  Na roda, além de nos inspirar e incentivar a fazer o trabalho de pesquisa sobre o Horto, ficamos sabendo de muitas coisas que contribuíram para a conclusão do mesmo. A roda foi muito importante , lá vimos a determinação , o sentimento das pessoas em deixar aquele lugar , até  porque viveram lá a vida toda .
   Na roda conhecemos poucos dos muitos que moram lá , mas que nos transmitiram muita coisa como felicidade e coisas boas , falaram das brincadeiras de quando eram crianças , que lá moram muitas gerações de familiares , lá todos se conhecem . Lá é um ótimo lugar de viver .

Walter do grupo "Horto das remoções"
Devemos nos juntar aos moradores do Horto, para finalmente viverem em paz e com essa natureza linda.




Bom, aqui estão algumas manifestações dos moradores. 
Moradores colocaram essa cruz no local onde havia uma casa de uma família que foi removida.
Cachoeira do Horto, rodeada pela floresta da Tijuca.


Bom pessoal é isso, espero que vocês tenham gostado.. :)

Grupo Horto Imperial.
Foto:
http://www.kenner.com.br/

A luta pelo o Horto


https://www. Facebook . com/meuHorto



https://www.facebook.com/hortojovem

Elas são guerreiras  , elas estão na luta  pelo o horto .  Até quando eles iram passar por isso , até quando eles iram ter que sair da sua causa para ir para as ruas  lutar pela a sua casa lutar , pela a sua história   ?  

Thaina grupo das remoções



HORTO IMPERIAL

HORTO IMPERIAL


"No Horto há uma enormidade de costumes que remontam aos ...signos e símbolos afrodescendentes. Há, ainda, documentação secundária que inclui o Horto como parte das rotas de fuga quilombolas da cidade do Rio de Janeiro à época dos movimentos abolicionistas, como claramente demonstrou o renomado historiador Eduardo Silva." 
 Solar da imperatriz antes de ser reformado.
Solar da imperatriz depois da reforma.



"No porão do Solar da Imperatriz, continha evidências da escravidão (correntes e ferros em que os negros eram aprisionados) até pouco tempo atrás, quando uma obra do IJB para ali construir sua cafeteria descaracterizou esse rico acervo. Mas felizmente ainda hoje podemos aferir que ali existiu também uma senzala, o que igualmente é atestado por meio da memória dos habitantes mais antigos da região que contam histórias das correntes e dos gemidos que ali tinham lugar. Esta senzala tinha características de uma Casa senhorial típica do século XIX, quando as construções imperiais das Fazendas de Café (sobretudo as fluminenses) incluíam a senzala no interior da Casa Grande, normalmente em seu porão. Sabe-se, ainda que o Solar passou por obras grandes e estruturais em 1875, quando o governo Imperial desapropriou a Fezenda dos Macacos (o último nome que delimitava a área do Solar da Imperatriz em alusão ao Rio dos Macacos) para ali instalar o Asilo Agrícola."




Detalhes da fachada e dos fundamentos da construção que pode ter abrigado a Casa Grande e  a Senzala do Engenho

"No Morro das Margaridas há a ruína do que teria sido a Casa Grande do Engenho D´El Rey, depois chamado Engenho Nossa Senhora da Conceição da Lagoa. Lá vestígios arquitetônicos e a memória social dos moradores identificam aquela documentação como "a antiga senzala". "

"A senzala do Morro das Margaridas, hoje em ruína mas mapeada como sítio histórico do Horto, abrigou os primeiros proprietários e escravos dos engenho D´el Rey e Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, a partir de 1575. Representa um tipo de construção característico das primeiras fazendas brasileiras  e de suas casas de escravos, aos moldes dos desenhos de Cícero Dias na 20a edição de Casa Grande e Senzala (Freyre, 1980): um barracão pobre e rústico integrado a uma Casa Grande e o terreiro, onde se cultivavam animais domésticos e se reuniam costumes e saberes, etc." 

Milena do grupo Horto Imperial.

Fonte: http://www.museudohorto.org.br. 
Fotos: Google Imagens.

O COMEÇO DE TUDO: HORTO NA EPÓCA DO IMPÉRIO.

"Em 1808, logo após a chegada da família Real Portuguesa ao Brasil, em virtude do Bloqueio Continental decretado em 1806 por Napoleão Bonaparte, que ameaçava invadir os países que mantivessem comércio com a Inglaterra, o Engenho foi desapropriado pela Fazenda Nacional, ordenando-se um levantamento cartográfico da área, com o objetivo de se escolher o melhor sítio para abrigar uma fábrica de pólvora e um Horto Real. 

A fábrica de pólvora deveria ser capaz de produzir o suficiente para a defesa da nova capital portuguesa e o Horto Real tinha o objetivo de aclimatar plantas exóticas que poderiam vir a ser úteis para o desenvolvimento agrícola e industrial da metrópole portuguesa. 

O mundo vivia a passagem do capital comercial para o capital industrial, o que acelerava a busca européia por mercados potencialmente ricos em matérias primas capazes de suprir uma indústria nascente. 
Muito mais do que apenas descrever e classificar as espécies botânicas existentes no Brasil buscava-se a sua aplicação econômica na medicina, na alimentação e na tecnologia. Paralelamente, notava-se também no governo português o desejo de introduzir no Brasil espécies exóticas, capazes de aqui se aclimatarem e desenvolverem. Daí o grande incentivo à criação dos Hortos Botânicos. 

Deste modo, em 1808 estabelece-se o Real Horto, no Rio de Janeiro, transformado em 1811 em Real Jardim Botânico e franqueado ao público a partir de 1819, quando foi dado o primeiro passo efetivo para a criação de outros jardins."

Milena , grupo Horto Imperial
Foto: Google Imagens

Sobre o que está acontecendo no Horto .


"A luta do Horto é a luta do povo! 


Por Glorya Ramos* 


Há um desvio na análise da questão da remoção das famílias do Horto. 


Onde fica o Horto? O povo, em geral do estado do Rio de Janeiro e do Brasil, não localiza bem o Horto, que fica agregado ao Jardim Botânico, um dos acervos naturais mais importantes e valiosos da cidade do Rio de Janeiro. Feita a localização, cabe então enegrecer problemática em torno da questão da remoção de famílias que ali residem e não querem e não precisam sair dali, tentando responder à questão: como podem negros e negras descendentes de escravos imaginarem compartilhar um dos espaços mais valiosos do Brasil? Quem permitirá isso? 


Quando eu falo que o Horto não é bem localizado pelo povo brasileiro, incluo até a ilustre e prezada companheira Dilma que, não conhecendo a situação das pessoas envolvidas na questão do Horto, corre o risco de contrariar todos os avanços, princípios e propósitos do combate ao racismo e promoção da igualdade racial numa penada. 


Apesar de não poder ser caracterizada como comunidade tradicional remanescente de quilombos por questões técnicas e formais, podemos dizer que a população que habita o Horto, e que neste momento corre o risco de remoção para Benfica, é negra e guarda um patrimônio remanescente secular que pertenceu a negros e negras escravos (as) trabalhadores (as) e que está no Horto, ainda hoje, e pode ser qualificado como um sítio que guarda presença de um tempo pretérito que devemos salvaguardar, ter na memória “para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça” – a escravidão. O Horto era o espaço de grandes engenhos, logo passagem de negros e negras que participaram do enriquecimento daquela localidade e das pessoas brancas, herdeiras ou posseiras que hoje lá habitam. 


O valor agregado àquele notável patrimônio natural advém de um equipamento sociocultural importante que valoriza o corredor cultural da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de um corredor com um grande acervo natural no seu entorno, praias, lagoa, morro, acesso à floresta, jardins, parques, um equipamento cultural invejável: teatros, cinemas, livrarias e shoppings, os mais importantes da cidade estão localizados neste corredor, além de uma concentração de escolas, cursos e universidades. É desse local, sob falsas alegações, que querem remover famílias que pertencem a um segmento da população historicamente excluído: a população negra. Além de falsas e infundadas alegações, uma forte dose de preconceito racial que determina também historicamente um “não lugar”, a invisibilidade, a exclusão da população negra de espaços valorizados e de poder tal como a universidade. O que ocorre no Horto é exatamente o que a classe média/alta racista queria que permanecesse nas universidades, um quadro populacional quase exclusivamente branco com raríssimas exceções. 


Cabe agora verificar que estão pedindo que 521 famílias que não querem ser removidas sendo que 78% destas famílias são de pretos e pardos sejam deslocadas para o bairro de Benfica, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, potencialmente desvalorizada, pois não tem, nem de perto parte do valoroso acervo sociocultural e educacional da Zona Sul, tampouco seu acervo natural riquíssimo. 


Tira-se a parte pela preta do Horto, livra-se da pobreza e da negritude e põe o preto pobre na periferia, no lugar que a elite branca reservou apoiada pela perniciosa e racista rede de televisão. 


Assim revelamos o racismo institucional que está por trás desta questão. Esta população que habita o Horto não quer ser removida, não corre riscos, não compromete a natureza, muito pelo contrário, ajuda na sua preservação, mas tem um problema traz a diferença racial para o espaço nobre da Zona Sul. A elite se revela racista na medida em que quer promover um apartheid, caminhando na contramão da história. A hipocrisia, juntamente com o mito da democracia racial, cai por terra e a sociedade brasileira expõe sua chaga – o racismo. 


Vamos combatê-lo veementemente. Somos contra a discriminação racial e todas as formas de intolerância. Queremos justiça social e igualdade de direitos. Queremos poder viver livres. Sem discriminação, podendo usufruir de todos os bens sociais produzidos pela humanidade e, no caso do Horto, produzidos por homens e mulheres negros (as) e brancos (as), então porque só os brancos podem morar no Horto? "

*Professora do Colégio Pedro II. Membro do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (INSPIR) e do Coletivo de Combate ao Racismo do PT/RJ  

Este artigo foi retirado de http://www.amahor.org.br/6327
Por Thaina grupo das remoções 

                            Roda de Conversa no Antônio Maria Texeira Filho.
Na roda de conversa com os moradores do Horto ficamos sabendo que o Museu do Horto conta a historia das família que estão a bastante tempo lá .No Horto 78% das pessoas são negras e pardas , e de classe média e de baixa renda .

Remoção: Segundo os moradores, a rede globo é a principal culpada da remoção do Horto. Eles acreditam que querem remover as casas para construir condomínios de luxo . O período de luta contra a remoção começou quando a Globo chegou lá nos anos 60 .* Os moradores já sofreram ameaças . Quando decidiram remover 80% da comunidade do Horto, algumas pessoas alegaram que as pessoas que moram lá , não tem condições financeiras de morarem lá , pois são pobres.**  Mas antes mesmo dos moradores chegarem lá , a floresta foi desmatada pelas plantações de café há 200 anos atrás. E a mídia coloca a culpa nos moradores .
E por ironia , o próprio "chefia" do meio ambiente , está desmatando para construir sua mansão de luxo .*** E ai fica a pergunta ,não está errado ?!
Clube Caxinguelê : Foi construído pelos próprios moradores e acabou sendo demolido pelo IPJB .

Nivea do grupo Horto Imperial. :)

Notas da professora Claudia Lobo:
*Desde a década de 1960 os moradores vem enfrentando uma luta pela permanência e preservação da comunidade: lutaram contra um projeto do governador Carlos Lacerda que pretendia construir um cemitério na região, contra o governo militar que pretendia construir prédios do BNH, e contra a Rede Globo que atualmente pretende construir um novo estacionamento no bairro. Sobre o assunto, ver "Dossiê histórico sobre a população tradicional do Horto", organizado pela historiadora Laura Olivieri, disponível em http://www.museudohorto.org.br/5771?locale=pt_br


**Além da campanha difamatória empreendida pelo Jornal O Globo a partir de março de 2010, acusando os moradores de serem invasores do Parque Jardim Botânico, o ex-presidente da AMA-JB e dono da empresa MyGreen, Alfredo Piragibe, através de sua página "SOS Jardim Botânico " começou também a atacar os moradores. Nesta página, pode-se  observar comentários preconceituosos contra os moradores, feitos por diversas pessoas que acessam a mesma. Sobre o assunto, ver
F.L.J. Diário de uma invasora. Livre Expressão Editora, Rio de Janeiro, 2012.
 
***Sobre a construção da mansão na Rua Sara Vilela ver a declaração de bens do secretário do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, o deputado Indio da Costa. Disponível em http://www.eleicoesbrasil.org/eleicoes-2014/deputado-federal/rj/indio-da-costa/190000001474  Sobre as denúncias feitas pelos moradores sobre as construções da Rua Sara Vilela, ver http://www.amahor.org.br/6250
 


 
( Foto feita no dia do Trabalho de Campo no Horto)

          "O Horto Florestal do Rio de Janeiro existe formalmente no mapa da cidade desde 1875, quando foi oficializado como parte integrante da Freguesia da Gávea."*
 
- Autoridades dizem que querem remover os moradores do Horto, para replantar árvores, mas não foi bem isso que vimos na nossa visita ao Horto. Tem uma parte isolada que ali disseram que iriam fazer plantações, mais até agora os moradores não viram absolutamente nada. Será que eles querem remover os moradores para fazer um bairro chique!? .. O mais engraçado é que vi casas enormes e lindas sendo construídas e que com certeza não serão removidas* * , e casas que estão ali a mais de 30 anos tem que ser removida!? Acho um absurdo isso, com bares novos chegando, mansões lindas sendo feitas, o que pode acontecer é o IPTU subir, pessoal tem mansões que estão dentro da floresta , pra fazer elas será que não foi necessário derrubar árvores e destruir solos? Fica essa pergunta no ar.   O que me intriga mais é que a exatamente 3 anos e 10 meses a Globo fez uma postagem como o "Programão do fim de semana" * * *, dizendo que o Horto é um bairro tranquilo, cercado de verde e com comércio pacato, e vamos dizer que do dia pra noite quer destruir tudo que estar por lá? Tirar moradores que vivem a mais de 3 décadas? o que aconteceu pra mudarem  de ideia tão rápido? ... 
( Fotos tiradas durante o Trabalho de Campo no Horto )

Notas da Professora Claudia Lobo:
* SOUZA, Laura Olivieri Carneiro de. Horto Florestal do Rio de Janeiro: um lugar de memória da cidade na luta pela afirmação de sua identidade e preservação do seu patrimônio histórico. Disponível em: http://www.amahor.org.br/Horto_Florestal_do_Rio_de_Janeiro:_um_lugar_de_mem%C3%B3ria_da_cidade_na_luta_pela_afirma%C3%A7%C3%A3o_de_sua_identidade_e_preserva%C3%A7%C3%A3o_do_seu_patrim%C3%B4nio_hist%C3%B3rico
 
* * A aluna está se referindo às casa que estão sendo construídas na Rua Sara Vilela, no meio da mata.
 

Milena do grupo Horto Imperial.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Entrevista Com uma moradora do Horto .


Uma entrevista com uma moradora do Horto : "Ela relata o que viveu lá e o quanto luta sobre a remoção "


"Vânia do horto‚e sua família morava na favela da Rocinha‚depois o seu pai foi contratado a trabalha no parque Jardim Botânico em 1972 o ex funcionário do jardim botânico tem os direito de moradia
no horto baseado na lei dos servidores públicos e os filho também podem ocupa a região.
        No tempo de vida a grandes historia de sua  casa e das brincadeira com as criança com espaço ,os animais e canto dos pássaros e bom lugar de grandes fatos histórico junto a consciência ambiental dos moradores , horto e cenário de boa qualidade de vida na zona sul do Rio de Janeiro e viver com a natureza com respeito com isso foi criado clube caxinguelê, foi criado pelos moradores mais antigos do horto o bairro tem muitas história desde a chegada da família Real Portuguesa e suas Colônia, neste lugar a varias conjuntos habitacionais dos moradores do bairro,  também tinha e tem fábrica dos operários ,e os clubes e sola da Imperatriz .
   Mas em 1980 a 1987 Instituto Brasileiro de desenvolvimento (IBDF) inciou as tentativas de remoção dos
moradores com isso a mídia  criou o mito que a comunidade invadiu o parque com isso os moradores passaram a ser "invasores ilegais " pelo próprio governo tudo que eles construiram pode ser desabitada com remoção do moradores  a um propósito de  expansão ambiental mas não o que parece ser ,porque todos os que foram removidos foi a classe trabalhadora com salário mínimo, o grande interesse da mídia pelo horto. Porque lugar e bom de viver e construir em 2011 a globo com seu império começou a questionar os moradores como invasores com isso a grande revolta contra o sistema,com a criação do museu do horto e preservação ambiental e florestal mostra um povo de grande respeito com a natureza.
           Em relação a remoção ela diz que esta cansada porque faz mais ou mesmo 30 anos de luta, não é  
fácil sair do lugar que viveu sua infância e juventude , por ter convivência com as pessoas,  e triste sai do lugar que gosta tanto. Dona Vânia é uma das  moradoras que luta pelo seu direitos como  cidadão e moradora do horto. "

- Fonte : Edmar
Grupo das remoções .